★★★★ 2017
| Editora | Companhia das Letras / Record |
| Ano | 2017 |
Presa depois de assumir a culpa por um crime que não cometeu, Lisbeth Salander usa a passagem pela prisão para proteger Faria Kazi, uma reclusa muçulmana vítima de um gangue dentro do próprio sistema prisional, e para investigar, finalmente, um episódio obscuro da sua própria infância: a passagem pelo instituto psiquiátrico de St. Stefan's, onde foi sujeita, em criança, a experiências nunca totalmente explicadas num estudo sobre gémeos.
Enquanto isso, Mikael Blomkvist investiga por conta própria a morte de um homem que, antes de morrer, tentou contactá-lo com informações sobre o mesmo instituto, abrindo um fio que leva a experiências antigas e antiéticas sobre controlo de comportamento em crianças gémeas, incluindo Lisbeth e a irmã Camilla. O romance aprofunda mais do que qualquer outro da série a génese do trauma de Lisbeth, ligando a sua raiva adulta diretamente a um sistema que a tratou, desde pequena, como objeto de estudo em vez de pessoa. Lagercrantz equilibra aqui a ação mais imediata da prisão com uma investigação mais lenta e dolorosa ao passado, fechando muitas das perguntas que a mitologia da série vinha a acumular desde o livro anterior.
Enquanto isso, Mikael Blomkvist investiga por conta própria a morte de um homem que, antes de morrer, tentou contactá-lo com informações sobre o mesmo instituto, abrindo um fio que leva a experiências antigas e antiéticas sobre controlo de comportamento em crianças gémeas, incluindo Lisbeth e a irmã Camilla. O romance aprofunda mais do que qualquer outro da série a génese do trauma de Lisbeth, ligando a sua raiva adulta diretamente a um sistema que a tratou, desde pequena, como objeto de estudo em vez de pessoa. Lagercrantz equilibra aqui a ação mais imediata da prisão com uma investigação mais lenta e dolorosa ao passado, fechando muitas das perguntas que a mitologia da série vinha a acumular desde o livro anterior.
+ ver maisReferências a abuso infantil e experimentação não consentida; tratadas sem detalhe gráfico.
Este é, para mim, o melhor dos livros de Lagercrantz, porque finalmente usa a mitologia nova — a irmã gémea, o instituto, as experiências antigas — para dizer algo genuíno sobre quem Lisbeth é e porque é assim. A subtrama na prisão, com Faria Kazi, dá-lhe também uma causa imediata para defender, o que a torna, paradoxalmente, mais humana precisamente quando está mais isolada fisicamente do mundo. Não substitui Larsson, mas aqui Lagercrantz encontra finalmente voz própria dentro da série.