★★★★★ lido em 04/02/2025
| Editora | Alma dos Livros |
| Ano | 2024 |
Um caso arquivado há mais de trinta anos leva Kate e Tristan de volta a Londres, para reabrir o desaparecimento de uma jovem numa zona da cidade hoje irreconhecível, transformada por décadas de obras e de gente nova que nunca ouviu falar do que ali aconteceu. As testemunhas que restam já são idosas, as memórias desfiam-se, e os dois precisam de reconstruir uma noite inteira a partir de fragmentos emprestados e de registos incompletos. À medida que juntam as peças, Kate percebe, com um desconforto crescente, que este caso pode estar mais próximo do seu próprio passado do que estava preparada para admitir, e que voltar a Londres nunca ia ser apenas uma questão profissional.
Sem corpo, sem testemunhas fiáveis e sem pistas físicas que tenham resistido ao tempo, o caso obriga os dois a trabalhar quase só com memórias desgastadas e versões contraditórias do que se passou décadas atrás. Londres já não é a cidade que Kate deixou para trás quando a sua carreira na polícia ruiu, e voltar significa confrontar ruas, rostos e silêncios que ainda guardam vestígios dessa queda. Para Kate, aceitar que a verdade pode chegar apenas aos pedaços é talvez a parte mais difícil de todo o processo, mais ainda do que o próprio caso.
Sem corpo, sem testemunhas fiáveis e sem pistas físicas que tenham resistido ao tempo, o caso obriga os dois a trabalhar quase só com memórias desgastadas e versões contraditórias do que se passou décadas atrás. Londres já não é a cidade que Kate deixou para trás quando a sua carreira na polícia ruiu, e voltar significa confrontar ruas, rostos e silêncios que ainda guardam vestígios dessa queda. Para Kate, aceitar que a verdade pode chegar apenas aos pedaços é talvez a parte mais difícil de todo o processo, mais ainda do que o próprio caso.
+ ver maisToca diretamente na história de origem de Kate; sem detalhes explícitos de violência. Contém referências a crimes antigos contra mulheres jovens, tratadas sem detalhe explícito.
Para mim, este é dos volumes mais emocionalmente carregados da série, porque o círculo finalmente se fecha. Depois de quatro livros a reconstruir-se longe de Londres, a salvo entre a costa e os seus próprios fantasmas mais pequenos, este caso arrasta Kate de volta à cidade e à ferida mais antiga de todas, aquela que, de certa forma, deu origem a toda a série. Senti que Bryndza usa este regresso com muito cuidado, sem o transformar em espetáculo fácil. É também a prova, bem construída, de que investigar os outros foi sempre, também, uma forma de Kate adiar investigar-se a si própria. Recomendo vivamente a quem já acompanha a série desde o início.