★★★★★ lido em 28/01/2025
| Editora | Alma dos Livros |
| Ano | 2022 |
Doze anos depois do desaparecimento da jornalista Joanna Duncan, o caso continua arquivado e praticamente esquecido por todos, exceto por Kate e Tristan, que nunca deixaram de achar que algo naquela investigação original tinha ficado por explicar. Decidem reabri-lo por conta própria, sem mandato oficial e sem recursos de polícia, entrevistando quem já desistiu de ser ouvido depois de anos a bater a portas fechadas. Aos poucos, percebem que o silêncio prolongado à volta do caso, longe de ser simples desinteresse ou burocracia, pode ter sido, desde o início, uma escolha deliberada de alguém com motivos muito concretos para que Joanna nunca fosse encontrada.
É um caso que Kate escolhe, não que lhe é atribuído, e essa diferença muda tudo na forma como o persegue: sem crachá nem autoridade oficial, precisa de confiar na persuasão, na paciência e nos contactos que foi construindo, onde antes lhe bastava um distintivo para abrir portas. O silêncio institucional em torno do caso revela-se, aos poucos, escolha deliberada e não desleixo ou simples falta de meios, e cada entrevista recusada confirma a Kate que está a tocar em algo que alguém, algures, continua a proteger com cuidado.
É um caso que Kate escolhe, não que lhe é atribuído, e essa diferença muda tudo na forma como o persegue: sem crachá nem autoridade oficial, precisa de confiar na persuasão, na paciência e nos contactos que foi construindo, onde antes lhe bastava um distintivo para abrir portas. O silêncio institucional em torno do caso revela-se, aos poucos, escolha deliberada e não desleixo ou simples falta de meios, e cada entrevista recusada confirma a Kate que está a tocar em algo que alguém, algures, continua a proteger com cuidado.
+ ver maisAborda temas de duplicidade e crimes motivados por preconceito; nada explorado de forma gratuita. Aborda também a forma como certas mortes são tratadas com menos seriedade pelas autoridades, consoante quem é a vítima.
Este é, para mim, um ponto de viragem delicioso na série. Aqui Kate deixa de ser uma ex-polícia com um passatempo perigoso e torna-se, pela primeira vez, investigadora privada a sério, graças a uma herança inesperada de Myra, a sua madrinha de sobriedade, cuja presença discreta sinto que marcou profundamente a personagem. A parceria com Tristan deixa de ser acidental e passa a ser profissão, o que dá à dupla uma estrutura e uma seriedade novas. É o momento em que Kate começa, pela primeira vez desde Nine Elms, a construir alguma coisa de raiz, em vez de apenas reagir ao passado. Fiquei com vontade de a ver crescer ainda mais a partir daqui.