★★★★★ data a confirmar
| Editora | Alma dos Livros |
| Ano | 2018 |
Um assassino que se considera árbitro de vida e morte escolhe as vítimas com um critério moral distorcido, convencido de que está a fazer justiça onde o sistema, aos seus olhos, falhou repetidamente. Cada corpo é deixado como se fosse a conclusão lógica de um julgamento privado, uma sentença que só ele tem autoridade para proferir. Tess precisa de decifrar essa lógica perversa, entrar na cabeça de alguém que não se reconhece como monstro, antes de conseguir prever o próximo alvo, numa corrida contra um adversário que, aos próprios olhos, não se vê como vilão nenhum, mas sim como o único que ainda faz alguma coisa.
A tentativa de entender a lógica interna do assassino obriga Tess a um exercício incomodável de empatia com alguém profundamente perigoso, um dos aspetos mais desconfortáveis e eficazes do livro. A linha entre compreender e desculpar torna-se cada vez mais ténue à medida que a investigação avança, e Tess vê-se a questionar os próprios limites morais num caso que não lhe oferece nenhuma certeza fácil. Nem sequer a chefia, habituada a casos mais lineares, sabe bem como lidar com um criminoso que se recusa a encaixar no perfil habitual.
A tentativa de entender a lógica interna do assassino obriga Tess a um exercício incomodável de empatia com alguém profundamente perigoso, um dos aspetos mais desconfortáveis e eficazes do livro. A linha entre compreender e desculpar torna-se cada vez mais ténue à medida que a investigação avança, e Tess vê-se a questionar os próprios limites morais num caso que não lhe oferece nenhuma certeza fácil. Nem sequer a chefia, habituada a casos mais lineares, sabe bem como lidar com um criminoso que se recusa a encaixar no perfil habitual.
+ ver maisCrimes violentos motivados por convicção moral distorcida; sem detalhe explícito gratuito.
Este é, para mim, o caso que mais testa a objetividade profissional de Tess, e também o que mais me fez pensar depois de fechar o livro. Wolfe obriga-a a admitir que compreender um assassino nunca é o mesmo que justificá-lo, mas também não a deixa fingir que essa compreensão não a afeta, e acho que é aí que a escrita se torna verdadeiramente interessante. É uma distinção subtil, difícil de escrever sem cair no sermão, e que marca Tess de uma forma que se sente nos livros seguintes, quando ela volta a hesitar antes de julgar alguém à primeira vista.